Como 'descobrir' as funcionalidades do APP?

Depois de ter uma ideia interessante, de validar o conceito ou necessidade, pode ser que você pense: e agora? Como o APP vai funcionar para resolver esse problema? A área de requisitos é considerada por muitos engenheiros, a etapa onde está a causa de cerca de 70% das falhas de um projeto de software.

Falando de uma maneira resumida, essa fase envolve: elicitar, documentar, validar e gerenciar o desenvolvimento das funcionalidades. Em startups, é difícil identificar elementos ou práticas que comprovem a execução dessas 4 atividades, elas acontecem muitas vezes de maneira intuitiva e repetitiva em cada “pedaço” do projeto que está sendo desenvolvido.

Se você se perguntou: mas deveria ser assim mesmo? Não deveria ser um processo mais claro e fácil de identificar? Sim, deveria sim. No entanto, os custos/tempo para realizar essas práticas, a falta de profissionais que dominem esse tema e até a subjetividade dos resultados que são gerados, algumas vezes deixam a área de requisitos menos prioritária para fazer um APP. Mas esse é um assunto para outro post que mostre dados e fatos sobre isso que estou falando.

Pensando na ocasião de criação de um MVP (Minimum Viable Product), que possivelmente será a primeira versão do seu projeto, busquei fazer algumas considerações específicas para ajudar a “identificar” as funcionalidades de um APP (lembrando que você não deve pensar em MVP como um pedaço do projeto e sim como uma versão estável e robusta que seja capaz de validar a forma como você quer resolver um problema).

Avaliar o Cenário

Pode parecer um “clichê”, mas avaliar cenário é basicamente definir como ou quem pode te fornecer as informações que precisa para elicitar as funcionalidades do APP. Por exemplo, quando se desenvolve um software para uma empresa fica mais fácil obter essa informação, pois é possível que utilizando algumas técnicas como: entrevistas, questionários ou brainstorm, junto as pessoas interessadas, seja saber o que o APP deve fazer.

Mas, se tratando do cenário de transformar uma ideia em um APP para diversas pessoas que você não as conhece, dificilmente haverá alguém pra te falar como as coisas devem funcionar, nesse caso, você deve investigar o problema, observar o comportamento dos concorrentes e definir em pouco tempo como deverá agir como o APP. No meu eBook - Como transformar ideias em aplicativos ou criar sua primeira startup do zero, eu falo um pouco mais sobre isso.

Investigar o problema

Para investigar o problema e propor funcionalidades a técnica de Design Thinking tem sido usada mundialmente para desenvolver produtos, tanto por startups quanto por grandes empresas. Esse processo é aplicado em problemas complexos em que a ideia central é resolver desafios inovadores.

Resumidamente, o Design Thinking prega a necessidade de simpatizar – compreender ou se colocar no lugar do público que vai usar sua ideia, definir - estabelecer um ponto de vista, ou qual pedaço do problema vai resolver, “idear” - sugerir ideias/alternativas para resolver o pedaço do problema sem estabelecer limites de criatividade, prototipar - representar a ideia com telas de baixa/média fidelidade e testar - compartilhar o protótipo com o usuário observando os principais pontos de acertos e erros.

Uma funcionalidade bem típica como a de realizar login, por exemplo, naturalmente você pode pensar: com um e-mail e senha tudo está resolvido. De fato está resolvido, mas será que é a forma mais adequada para utilizar essa funcionalidade? Em APPs como o WhatsApp por exemplo, você faz login com seu número de telefone e nem precisa de uma senha, por que não investigar se seria interessante uma alternativa como essa para seu usuário? Através do Design Thinking você pode chegar a essa conclusão (existe também o caso onde é necessário que o acesso ao APP seja único por dispositivo e o login pelo número do chip do aparelho se fáz muito útil).

Ainda sobre o login outro exemplo, são aqueles APPs que só te “custam um click” para logar com o Gmail, Facebook ou LikedIn e podem até deixar as informações das redes integradas com os serviços do aplicativo. Concorda como é uma otimização que faz toda a diferença já na primeira tela de um APP?

Observar os Concorrentes

É interessante que você investigue primeiro o problema e liste o maior número de ideias e sugestões de funcionalidades para seu APP e só depois disso, avaliar os concorrentes para aprimorar o que você pensou e verificando se pensaram da mesma forma e validando se está funcionando bem ou não.

Se você avaliar os concorrentes antes de pensar nas suas próprias soluções é possível que limite sua criatividade ao que está sendo feito por outras pessoas, minimizando ou desfavorecendo meios para você inovar no ramo.

A criação de “eventos”, por exemplo: criar partida, consultar dados, cadastrar produto ou finalizar atendimento, são funcionalidades que podem ter o mesmo nome em inúmeros aplicativos, mas podem ser desenvolvidas de diversas maneiras. Estudar a concorrência te ajudar a entender como eles pensam ou pensaram na hora de criar as alternativas deles, agora é só se diferenciar e não deixar de inovar.

Pra finalizar...

O importante de utilizar uma estratégia para “descobrir” as funcionalidades do seu APP é de fato, deixá-las definidas e ser capaz de testá-las individualmente. Não tem problema nenhum errar na funcionalidade, você certamente irá errar várias vezes nisso, mas esse erro tem de ser rápido. Quando perceber que não teve a resposta esperada na função desenvolvida, disponibilize rapidamente outra alternativa, de forma que sempre entregue os serviços ou produtos da melhor forma que puder.


Se você achou esse post interessante se inscreva no Blog com seu e-mail aqui em baixo, assim você receberá periódicamente conteúdos como esse.

Inscrito com sucesso. Você será notificado de novos Posts como esse.

Compartilhe: